O DESIGN NO BRASIL O Brasil tem características muito peculiares em relação ao design gráfico, tanto no conhecimento do mesmo como também na sua produção. Por ser um país relativamente jovem, e principalmente, por não ter uma tradição cultural com sustentação massiva da população, o Brasil não consegue aproximar o trabalho de design a sua cultura. Os designers brasileiros tentam incorporar características internacionais ao seu trabalho, retirando assim uma possível legitimidade do design nacional, que passa a ser puramente técnico copiador dos modelos de outras culturas. Esses fatores não surgem da vontade do designer, o fato é que por não ter uma importância reconhecida no momento de sua utilização, o trabalho de design é esperado pelo cliente, (que em nosso país não tem conhecimento do sobre design), nos moldes dos trabalhos realizados nos países dominantes. Tal fato causa na maioria dos designers uma condição inexistente de inferioridade. Não foi sempre assim, o designer Aloísio Magalhães traçou em sua breve carreira uma sequência de trabalhos que tentavam resgatar nossa cultura, e isso resultou em um design de qualidade legitimamente brasileiro. Não tão bom foi o fato de seu tempo na ativa não ter sido suficiente para essa visão ser absorvida por outros muitos designers. O que o designer deve saber é que como nos países dominantes, ou mesmo naqueles que valorizam sua cultura, o que determina a qualidade e originalidade do seu trabalho, é o fato da nacionalização. Quanto mais brasileiro for nosso design, mais universal seremos, e mais aceitos seremos num mercado globalizado. (baseado no livro "O efeito multiplicador do Design" de Ana Luisa Escorel.) PERGUNTAS QUE DEVEM SEMPRE SEREM RESPONDIDAS NO PROJETO GRÁFICO *Conceito > o desenho é compatível com o conceito que deve ser transmitido? *Personalidade > ele é original? Irá se destacar em meio a sua concorrência? *Contemporaneidade > o desenho será ainda bom daqui uns três a cinco anos ou está relacionado a algum modismo gráfico? *Legibilidade > o desenho tem características óticas perfeitas? *Pregnância > é fácil sua memorização? *Uso > o desenho é compatível com as aplicações pretendidas em termos de processos e custos? A INDÚSTRIA E OS PRODUTOS Os países dominantes são os detentores das grandes indústrias, (das internacionais), entre outras coisas. O design nasceu da necessidade da sociedade industrial. O design se fortificou e se desenvolveu mais nos países em que a indústria era dominante. Como a indústria antes de mais nada visa o lucro, o design teve que deixar de possuir características humanistas e passou a ser um coadjuvante nas estratégias de vendas, associando-se ao marketing em meados da década de 30. Os produtos são classificados em três diferentes classes: os feitos e veiculados artesanalmente, que seriam aqueles desprovidos de industrialização ou de tecnologias industriais, como as artes cênicas, as artes plásticas etc.; os feitos para serem transmitidos por tecnologias industriais a partir de matrizes, que seriam o design gráfico, o design industrial, os filmes etc.; e ainda, os produzidos artesanalmente mas veiculados por tecnologias industriais, como a música, o teatro, a poesia, o livro etc. O DESIGNER E A IDENTIDADE NO DESIGN Todas questões de design gráfico são de identidade. Em qualquer obra literária, por exemplo, consegue-se achar características que comprovam ser de autoria de determinado escritor, justamente porque essas obras possuem uma identidade, criada na maneira tradicional de escrever do autor, que usa seu próprio meio, correto mas intrínseco ao seu estilo. Da mesma maneira, o designer tem que ser capaz de, não fugindo aos princípios técnicos e regulamentadores, desenvolver uma linguagem própria, algo que demostre claramente que aquele trabalho foi desenvolvido por ele não apenas por ser de sua autoria, mas por possuir aquelas características singulares somente dele, utilizadas e desenvolvidas a sua maneira, consolidando a identidade do produto. Caminhos mais fáceis sempre serão encontrados, características desenvolvidas por outros que surgiram bons resultados costumam servir como atalho na busca desesperada por algo inusitado, mas esse caminho nunca é provedor de bons resultados e tende sempre a suprir uma única necessidade e morrer estagnado. O bom designer busca a originalidade, principalmente porque para o designer gráfico a identidade visual de um produto é tão relevante quanto sua função. Ele deve individuar a empresa e seu produto, construindo um espaço particular, na elaboração da identidade visual. A POLUIÇÃO VISUAL Os países dominantes controlam conscientemente o uso das imagens nos seus centros urbanos, isso porque sua população de maneira geral é instruída e possui conhecimento da importância de poder viver bem em um ambiente que não a agrida visualmente, por saber que pode viver assim, valoriza o bom trabalho de design e repudia toda forma poluidora ou violenta de utilização de imagens em centros urbanos, impedindo que a indústria ou o comércio se utilizem desse mecanismo covarde de disputa por mercado. Já nos países dominados, a população não tem a noção de que pode viver bem em um centro urbano, logo não questiona nem pune quem a agride visualmente, e os centros urbanos tornam-se locais de disputa de vendas através de montes de anúncios, poluindo e nunca alcançando um resultado que seria possivelmente melhor se seguisse o caminho correto. A HISTÓRIA DO DESIGN GRÁFICO Escola de ULM até tempos atuais Escola de ULM Na segunda metade da década de 60 o mundo passava por transformações rápidas e o controle das descobertas significava o controle da nova sociedade. O homem chegava a lua e o duelo de ideologias entre o capitalismo e o comunismo no mundo acabavam por influenciar em todas as áreas de criação artística, inclusive o design gráfico, que tendenciava para uma visão mais tecnológica. A escola de ULM dava um certo pontapé inicial em tudo que havia por vir. A estética dos produtos estava voltada para uma visão mais funcional, a art pop já não influenciava tanto o design como a alguns anos anteriores, e a semiótica estava fortemente associada as novas criações, que tinham um rigor matemático em sua criação. O existencialismo era a "grande tacada" do design daquela época. O fato de tudo se explicar pelo ato de existir, até mesmo o pensamento, cria uma visão estritamente voltada para a ciência e a tecnologia. Foram os anos do existencialismo. 1970-1975 Início dos anos 70 e tudo começa a mudar novamente. A nova esquerda mostra sua força e o design começa a apresentar em sua roupagem um certo saudosismo, com suas criações mais voltadas a estética de tempos anteriores. Mesma época também em que o neoclassicismo se mostrava forte nos produtos gráficos, com uma visão clássica associada ao fato de haver tecnologia no mundo. Ser moderno era o que mais se tentava mostrar no design gráfico dos anos seguintes. Surgem diversas revistas, porque finalmente haveria mercado para elas, já que a sociedade estava ansiosa por informação com um mundo tão modificado em poucos anos. Entre as novas revistas, pode-se destacar a Rolling Stone, que tratava música com respeito e informava de forma diferenciada, influenciou o design gráfico da época e tendenciou muitas outras; a Science, que dava aos seus leitores diversas informações sobre ciência e descobertas diversas; a Life, que diversificava seu conteúdo e também influenciou o design da época. As revistas além de permitirem uma evolução do design gráfico, também contribuíram para novos métodos como a infografia, que desde então é usada em materiais do tipo. A contracultura toma força juntamente com os movimentos rebeldes ou movimentos "Punks" advindos da Inglaterra, já no meio da década de 70. Sua ideologia limitava-se a questionar e ir contra a sociedade que se estabelecia principalmente com o sistema capitalista. Já na criação de seus folhetos, cartazes e outros do gênero, eles fugiam totalmente do uso da máquina capitalista. Construíam seus produtos com xerox ou simplesmente faziam tudo a mão. A idéia era que todos deveriam fazer suas coisas sem o uso da indústria, era o "do it yourself (faça você mesmo)", que acabou influenciando parte do design gráfico da época e até hoje aparece, simulado é claro, em alguns cartazes ou outras mídias. Na segunda metade da década de 70, é Milton Friedman e a escola de Chicago que determinariam os rumos do design gráfico principalmente na América do Norte. 1980. Finalmente já se sabia qual sistema "ganha" a luta de ideologias e formas políticas que o mundo viu duelar por anos. O capitalismo agora determina de vez o direcionamento mundial em relação a tudo, com alguns poucos países contrários mas incapazes de mudar os fatos. O design gráfico tem em seu favor o grande crescimento industrial, e este industrialismo tinha força suficiente para camuflar-se como apresentador da liberdade, da variedade de escolha, da necessidade de comprar para ser feliz. Claro que na verdade, e hoje se sabe muito bem, a idéia era apenas a do lucro para poucos, com trabalho de muitos. Mas em relação ao design gráfico, a publicidade começa a atuar como em uma selva, tudo se resume em vender, e para isso precisava-se de imagens, imagens essas que deveriam vender, e o design gráfico se viu voltado mais que nunca para a publicidade. Seus lemas eram os mais "belos": liberdade; consumidor como o ser divino; conceito de variedade; discurso da utilidade. A América do Norte produzia cartazes que enganavam muito, mas muito mesmo os consumidores. A legislação para impedir tais procedimentos era quase inexistente, a indústria de cigarros formava uma legião enorme de viciados, com seus cartazes bonitos e suas propagandas cheias de mensagens sublineares, ela acabou contribuindo para a evolução nos processos de criação dos conteúdos inseridos nos trabalhos de design gráfico. A indústria cinematográfica também acrescentou importância no desenvolvimento do design. As embalagens eram mais pensadas e os produtos mais variados, podia-se escolher muito mais e cabia ao design mostrar qual era melhor na hora da escolha. 1990 Os anos 90 foram os anos em que todos podiam se informar com quase nenhuma dificuldade ou obstáculo. A tecnologia estava voltada para a informação, os computadores pessoais, as redes de informações nos bancos, as emissoras de televisão transmitindo tudo em tempo real, os céus tinham satélites capazes de ler a capa da revista na mão do indivíduo sem problemas, internet para todos, som tecno para os jovens, os celulares possibilitavam a conversa de pessoas em qualquer lugar. A tecnologia cresce nessa década em progressão geométrica, enquanto a produção de riquezas cresce em progressão aritmétrica. Como o design iria adaptar-se a tamanha transformação?. Não iria, o design gráfico passou a ser criado não mais por especialistas ou estudiosos do assunto. Neste período, bastavam saber utilizar as ferramentas eletrônicas de criação de imagens para se fazer sites, cartazes, propagandas, entre outros. O mundo viu a internet surgir com uma roupagem despreparada para tamanha transformação. As pequenas empresas buscavam preço mais baixo, por falta de acessoria adequada no assunto, para produzir publicidade, sites, anúncios, catálogos. Foi a década do design gráfico feito pelo operador de computador. Claro que não foi regra geral, mas principalmente a internet teve um início desastroso em sua visualidade. Já no fim dos anos 90 e início do novo milênio, o erro do uso desordenado de informações e tecnologia começou a ser reparado. Os designers gráficos puderam mostrar sua importância quando obtiveram bons resultados em relação aos resultados desastrosos dos "farsantes" de anos anteriores. A divulgação eletrônica de dados começa a ter uma visualidade elaborada e bem feita por pessoal competente no assunto, e os sites feitos por quem não sabe design gráfico não conseguem mais se manter por muito tempo. As revistas, jornais e outros veículos gráficos começam a adaptar-se a nova era e gradativamente mudam suas roupagens. Já não é mais os leitores que garantem a lucratividade de jornais e revistas e sim os anunciantes. Algumas revistas chegam a criar mercados milionários onde não existia nem mesmo público para tal façanha. O design teve uma trajetória da escola de ULM até hoje que paralelamente aos acontecimentos históricos soube sempre adaptar-se e manter-se com importância na sociedade capitalista e agora globalizada. Diferentemente de outras áreas como a publicidade, o design gráfico soube evoluir mostrar-se cada vez mais útil e necessário. O que está por vir ainda é um pouco misterioso, mas a expectativa a respeito é muito grande.